Saturday, February 10, 2007

Não sorri

Não sorri,
só olhei.
Olhei para ti
que passavas docemente,
leve, calmamente,
com o cortinado dos cabelos
a proteger o rosto.

Não sorriste,
só olhaste.
Olhaste para mim
com uma curiosidade mínima,
com grandes olhos de menina,
para os quais o cortinado
do meu rosto se fechou.

Não sorrimos,
só olhámos.
Apenas por breves segundos,
num breve encontro de rua,
não era a minha, talvez fosse a tua.
E fechámos os cortinados
com que andamos mascarados.

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Tuesday, February 06, 2007

Nomeei uma esperança

Nomeei uma esperança
para te procurar;
ela enfim descansa,
conseguiu te encontrar.

Num sussurro de suspiro
entreguei-te quem sou.
Firmei-o seguro no papiro
que ganhou asas e voou.

No teu infinito
inscrevi o meu verso
para que seja sempre bendito
o amor que te peço.

NR 2006

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Monday, December 11, 2006

Não digas nada...

Não digas nada,
dá-me as tuas mãos de fada
para que eu possa perceber
o que ando a receber.

É que eu sinto o desejo
do teu riso, do teu beijo,
da tua alma enfeitiçada,
da tua fome endiabrada,
do teu corpo sumarento
e do teu útil talento
de fazer o que for preciso
para brincar com o meu sorriso.

Na tua boca,
um murmúrio de voz rouca,
é como um livro aberto
onde escolher o rumo certo
no mapa das estrelas,
penduradas das janelas,
que nós vemos baloiçar
no descanso depois de amar.

Não digas nada...

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Thursday, May 25, 2006

Esboço de pessoa

Vou-me atirar para o lixo juntamente com os esboços de outros poemas.
Afinal sou apenas um esboço de pessoa.
Um pingo de gente derramado no colchão, cujo pescoço se arrepia
ao sentir o frio que se aproxima.
Uma nódoa de pequenas dores de noites mal dormidas por razões indefinidas.
Uma caricatura de mim próprio que não ousa rir-se do desenho no espelho,numa certa contradição entre o sentir e o fazer.

Sou uma criatura ditada pela normalidade para um caderno engalanado de homem,que pouco reclama, que pouco pede,sem agitações, sem estardalhaços,cheio de dúvidas e de hesitações.

Se levanto muito a cabeça algo acontece para me recordar quem sou,
sendo atropelado pela realidade do esboço,numa dor angustiante de quem perde,depois de afagar o pêlo sedoso da vitória,
naquela emoção de quase, quase a domesticar e levar para casa.

Quase... Quase...

Essa palavra é me tão familiar...

Mas
por vezes sinto-me uma branca folha de papel, cheia de potencial,
onde se pode escrever tudo,
um poema, um livro, um desenho, um esboço...

Um esboço que pode ser o começo de algo muito importante.

E é a isso que devo agarrar-me.
A esta ideia de que talvez seja o esboço
de algo sublime que irá acontecer brevemente.

Até lá, sou um esboço de pessoa.
À espera...

Não desistindo.

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Espero por Ti

Espero por Ti.
O tempo cruza-me e eu
espero por Ti.
A viagem que não acaba, mas
espero por Ti.
Qundo meto a chave à porta,
espero por Ti.
Cheirando uma flor,
espero por Ti.
Soletrando o teu nome,
espero por Ti.
Cantando uma canção,
espero por Ti.
Andando na rua,
espero pro Ti.
Espreitando o céu,
espero por Ti.
Rondando as montras,
espero por Ti.
Escrevendo mensagens,
espero por Ti.
E de tanto esperar sei que te amo.

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Estrelas...

Se existem estrelas no mar
então os peixes nadam no céu.

Tuesday, April 25, 2006

Danças

As árvores dançam com a musica que o vento lhes canta...
Eu danço com o sopro da tua voz...

NR 2006

Água

Água

As tuas mãos na água...
Cheias de rios, cheias de nada.

Os rios correram, a água brincou.
As tuas mãos em vão tentaram
apanhar a água que se escapou.

Da fonte jorra o riso derretido.
Água cristalina que forra
as cores de um sentimento sentido.

A água tem as cores que se quiser dar.
Possui o forte brilho do amor
e tons de pálidos peixes a passear.

As tuas mãos na água...
Chapinham cheias de tudo.

NR 2006

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